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Nosso blogueiro convidado Emmanoel Boff assistiu Ex Machina e nos diz o que lhe pareceu interessante: o que nos torna humanos? 

Ex­ machina, cuja crítica foi postada aqui no blog em duas partes, seria uma típica fábula prometeica em forma de cinemão sci fi pop, não fosse por um detalhe: nosso Prometeu é um humano que, na sua busca por criar um robô tão humano quanto possível, parece perder sua própria humanidade. “Enquanto isso”, você pode pensar, “o robô criado acaba sendo mais humano que os humanos…Blade Runner, né?” Mas será mesmo? Essa pergunta talvez seja melhor respondida pelo próprio espectador…

O que interessa, entretanto, é que a pergunta surge. Surge e faz pensar: que Prometeu tecnológico é esse que com seus inventos tecnológicos acaba correndo o risco de tirar a humanidade dos humanos? E como recupera essa ? Será que estamos num caminho de desenvolvimento tecnológico trágico e sem volta? O pensador esloveno Slavoj Zizek sugere que o aquecimento global, tensões sociais crescentes pelo globo, a revolução biogenética e o colapso dos mercados financeiros de 2008 são todos sinais do fim dos tempos (E existem bons filmes pipocas recentes sobre biogenética para acompanhar esse fim dos tempos).

Podemos ser catastrofistas ao fazer essas perguntas, e mais catastrofistas ainda ao tentar respondê-­las. Mas um filme como Ex Machina põe em questão não apenas o modo como a ciência e a tecnologia podem destruir os humanos, mas como elas ­­ que, no fundo, são incorporações em máquinas de forças humanas também ­­ podem modificar, potencializar, transformar, abrir caminhos novos para o que significa ser humano. A questão mais interessante talvez seja: quais são as fronteiras do humano? Quais fronteiras do humano nós queremos?

Dentro dessa perspectiva, interessa menos o que a ciência e a tecnologia fazem com uma “humanidade” entendida abstratamente, e mais como elas podem fazer dos humanos algo a mais ­­ como diria Deleuze, quais são os devires que podemos experimentar? O que pode nossos corpos? Em que medida retornamos aos mitos da  Antiguidade, nos hibridizando com plantas, bichos, deuses até?

Não é um tema novo, verdade. Na filosofia, Nietzsche talvez tenha sido o primeiro a tratar do assunto na modernidade, com o além do ­homem. E no século XX, vários pensadores inspirados pelo filósofo alemão se perguntaram o que poderia significar ir além­ do­ homem. O questionamento continua, com livros recentíssimos. Do ponto de vista dos estudos da ciência e tecnologia, trata-­se não só de acompanhar com o cuidado do pensamento os deslocamentos das fronteiras entre o humano, o animal e o vegetal; entre a economia, a tecnologia e a política; entre a história, a arte e a filosofia.

Trata-­se, acima de tudo, de utilizar o próprio pensamento como força capaz de participar e compreender esses deslocamentos, apesar dos riscos. Tentar ver além das disciplinas e padrões estabelecidos, para poder perceber mais que o trágico em filmes como Ex- Machina…

Emmanoel Boff

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