pequenas misses

Muitos sociólogos argumentam que o gênero, tal como o concebemos, não é inato, mas culturalmente desenvolvido. Certos momentos de nossas vidas, como cerimônias de casamento e bailes de debutantes, são oportunidades para se enfatizar a feminilidade e a masculinidade; mas o gênero também é desempenhado em formas mais mundanas pelo modo com que falamos, nos locomovemos, nos vestimos ou nos enfeitamos.

Estas fotografias de participantes de concursos de misses infantis, de autoria de Susan Anderson e publicadas em seu livro High Glitz, ilustram o quanto de apelo sexual feminino é aqui acionado e posto para funcionar. Estas crianças são transformadas em adultas à custa de muita maquilagem e frequentemente também usam dentes postiços e apliques nos cabelos. Você pode conferir algumas imagens adicionais em Powerhouse Books.

As pessoas sempre argumentam que este tipo de adornos em uma criança soam antinaturais, mas quando as mulheres adultas empregam as mesmas estratégias _ cílios postiços, maquilagem, bijuterias e apliques _ isso também não é menos antinatural. Mulheres adultas, nestes casos, da mesma forma que estas crianças, estão encenando (performing) a feminilidade.

Levando este debate a um outro nível, como faz The Spinster Aunt , se você fica desconfortável com a idéia de pequenas misses , então que repulsa está disposto(a) a sentir pelo projeto de feminilidade em si, e não somente quando encenado por crianças? :

Eu sustento que qualquer pessoa  que fica desconfortável com pequenas misses está eticamente obrigada a também se sentir incomodada com a feminilidade em geral. As pequenas misses são apenas um de uma infinidade de aspectos revoltantes de um continuum pornofeminino a que todas as cidadãs do planeta estão atreladas, graças a uma cultura de opressão.

Assim, se parece problemático quando crianças agem assim (e, nesse sentido, esquisito quando homens também agem dessa forma) , por que não é tão constrangedor quando as mulheres adotam tais práticas?

***

Nota do Redator deste Blog: No cinema, o drama das misses infantis foi muito bem retratado na comédia farsesca Pequena Miss Sunshine (2006), onde uma família disfuncional não mede esforços para levar a pequena Olive (numa atuação absolutamente tocante e surpreendente) ao estrelato em uma trama repleta de peripécias e com um final surpreendente. O filme gerou artigos interessantes sobre a relação entre a infãncia, o consumismo e a sensualidade, como Pequena Miss Sunshine: para além de uma subjetividade exterior.


Por Lisa Wade

Originalmente postado em 2010.

Sociological Images mantém uma parceria exclusiva com o blog Conhecimento Prudente.

Imagens Sociológicas: Ver para crer foi criado para encorajar todas as pessoas a exercitarem e desenvolverem sua imaginação sociológica através da apresentação de breves discussões sobre imagens sedutoras e atuais apoiadas por reflexões geradas no vasto campo da pesquisa sociológica. É também um poderoso instrumento de interpretação de mensagens da mídia.

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